
Apesar de falarmos a mesma língua, em Portugal há muitas diferenças de comportamento em relação ao Brasil nos encontros do mercado corporativo.
Mercado Mice
por Rose de Almeida
Certa vez me impressionou muito um palestrante que discorreu sobre costumes e culturas diferentes em eventos e como muitas situações constrangedoras poderiam ser evitadas se os meeting planners pesquisassem ou tivessem um mínimo de acesso a essas informações antes de decidir sobre alguns itens do check list.
Claro que num grande evento a tendência é que essa diversidade se dilua mais facilmente, enquanto num encontro pessoal ou numa reunião mais privativa as diferenças culturais e sociais, as
tradições ou mesmo aspectos de indumentária e postura dos participantes fiquem mais evidenciados.
Os exemplos apresentados pelo palestrante iam desde as diferenças na forma como ocidentais e orientais se cumprimentam quando se encontram, até às cores da vestimenta como indicativo de hierarquia, expressões verbais e diferenças de expectativa nas reuniões entre americanos e asiáticos.
Bem, tudo isso para dizer que nestes dois meses morando em Portugal já tive a oportunidade de participar do congresso de uma entidade setorial, de uma grande feira de negócios, de uma premiação e de um evento corporativo e, apesar de falarmos a mesma língua, em todos esses eventos percebi diferenças gritantes em relação aos hábitos e costumes nos eventos realizados no Brasil.
Alguns destaques são: a elegância e a discrição com que se tratam os patrocinadores, a relação com a questão dos alimentos e bebidas e a manutenção do foco do evento.
Enquanto no Brasil o patrocinador tem status de rei, ao qual tudo é permitido, desde espaço e tempo para falas ou apresentações na abertura do encontro e calorosos agradecimentos por parte da organização, nos eventos em que participei em Lisboa e nos Açores, os patrocinadores estavam discretamente presentes no logotipo do banner de boas vindas, no vídeo (sem áudio) no telão enquanto os convidados entravam na arena e no email de agradecimento pela presença enviado no dia seguinte.
Os organizadores são também muito comedidos no quesito alimentação e bebidas. O intervalo entre um painel e outro é usado mais para networking. Numa das ocasiões, em salão formato auditório, para cada mesa de três lugares apenas uma garrafa de água e três pasteis de Belém. O evento terminou já passava das 19h e adivinha o que teve no encerramento? Nada. Alguns grupos até saíram para jantar e continuar a conversa em outro lugar, mas o perfil corporativo do evento se manteve impecável até o final.
Outra curiosidade é a capacidade de os portugueses manterem a objetividade e o foco no tema do evento. Algo que no Brasil sentimos dificuldade. Aqui a tônica é abordar assuntos polêmicos, confrontando aberta e equilibradamente visões opostas. Ou seja, o papo dos portugueses é direto e reto.
Mas, de tudo que já vi até agora, o mais inusitado foi a festa de entrega de um prêmio de manhã. Às 10h30, dois salões lotados de autoridades, profissionais e empresários/as do turismo, embonecados para mais um award do setor. A decoração da sala principal incluía uma intensa luz avermelhada (imitando a noite?), cadeiras em formato espinha de peixe e um modesto praticável servindo de palco central, com a plateia dividida em dois lados. Nada de cenário, nada de bandeirolas, adereços ou projeções mirabolantes. Só os eleitos e seu troféus. Acabou, tchau! E será que precisa mais?