
A apresentação de estrelas da música em grandes eventos esportivos é um combo global perfeito de esporte, marketing e arte!
- por Adilson Nascimento
- Foto: Tannen Maury/EFE
Nos últimos anos, uma tendência tem se consolidado no cenário esportivo global: a integração de shows musicais nos intervalos de grandes competições.
Imagine combinar aquela sonhada viagem com a oportunidade de ver um super jogo do seu esporte favorito e receber o plus de assistir ao show de um grande nome da música? É o combo perfeito!
O que antes era um breve período para descanso dos jogadores e dos espectadores, agora se transforma em um espetáculo à parte, atraindo multidões e ampliando a experiência do público.
A prática, que ganhou notoriedade com os icônicos shows dos intervalos do Super Bowl, nos Estados Unidos, se expandiu para diversas modalidades e países.
Podemos afirmar que a história da final da NFL se divide antes e depois da apresentação do eterno rei do pop Michael Jackson no intervlo do Super Bowl em 1993.
Estrelas como Rihanna, Coldplay, Katy Perry, Beyoncé e Bruno Mars também já assumiram o co- mando do show do intervalo do Super Bowl e levaram os fãs à loucura.
Hoje, é comum ver apresentações de grandes artistas em eventos como a final da Liga dos Campeões da UEFA, na Europa, ou em jogos decisivos da NBA.
Surpreendentemente e de forma inédita, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) entregou na final de Miami um espetáculo de música, luzes e fogos durante um intervalo que durou incríveis 27 minutos, sendo sete de show e momentos que remeteram ao Super Bowl, durante o show de Shakira no intervalo da final da Copa América entre Colômbia e Argentina em Julho de 2024.
Foi o primeiro show do intervalo da história da Copa América.
No Brasil, a ideia também ganhou força. Durante as finais do Campeonato Brasileiro ou em jogos da Seleção Brasileira nomes renomados da música nacional, como Ivete Sangalo e Anitta, já subiram ao palco montado no gramado, proporcionando uma fusão entre duas paixões nacionais: futebol e música.
A Neo Química Arena, por exemplo, será palco na noite do dia 6 de setembro de 2024 de um momento histórico: sediará pela primeira vez uma partida da NFL no Brasil.
E para reforçar a tendência forte dos shows do intervalo, a superestrela da música Anitta foi a escolhida para comandar o festa , trazendo sua energia e os hits que a consagraram internacionalmente.
A apresentação acontecerá durante o jogo entre Philadelphia Eagles e Green Bay Packers, às 21h15 (horário de Brasília).
A combinação desses elemen- tos reflete uma mudança na ma- neira como o esporte é consumido.
Não se trata mais apenas do jogo em si, mas de um evento de entretenimento completo.
Esse fenômeno atrai não só os aficionados por esportes, mas também os fãs de música, aumen- tando a audiência e, consequentemente, o retorno financeiro dos patrocinadores.
Os intervalos tornaram-se tão relevantes a ponto de alguns anunciantes pagarem mais de US$ 7 milhões por 30 segundos de propaganda nos intervalos dos jogos nos Estados Unidos.
Para os organizadores, os shows musicais representam uma oportunidade de engajamento com o público jovem, que busca experiências multimídia e interativas.
Já para os artistas, essa é uma vitrine de alcance global, que permite promover novos trabalhos e se conectar com audiências diversas, já que esses eventos costumam ser vistos pelos diversos canais de mídia, nos mais remotos cantos do mundo.
OPINIÕES DIVIDIDAS
Porém, a tendência não é isenta de críticas e não goza de unanimidade.
Alguns puristas do esporte argumentam que a música pode desviar a atenção do que realmente importa: o jogo.
Além ainda de maior dispêndio de tempo com montagem e desmontagem de palcos e demais elementos de produção do espetáculo ou consequentes estragos aos gramados ou pisos, que poderiam prejudicar o alto rendimento esportivo.
Outros, contudo, enxergam na união das duas formas de arte uma evolução natural do entretenimento, que reflete o espírito dos tempos atuais.
Seja como for, a presença da música nos intervalos dos jogos esportivos veio para ficar.
A sinergia entre o palco e o campo promete ainda novas e emocionantes interações, que continuarão a surpreender e encantar os espectadores ao redor do mundo.
Assim, a cada intervalo, o esporte ganha ritmo e mais notoriedade pelo mundo, e o público espetáculos inesquecíveis.