
Um passo anterior à busca frenética pelo dinheiro é o reconhecimento da nossa formação espiritual, ética e de caráter. São esses alguns dos pilares estruturais humanos que nos mantêm equilibrados!
• por Isabel Liberalquino
Falamos em harmonia, pensamos em harmonia, mas muitas vezes não demonstramos uma atitude harmônica.
Geramos impactos destrutivos em nossas vidas, na vida do planeta e no universo como um todo. Nossa comunicação está interconectada ao universo e quando estamos nos referindo às leis da unidade de nós mesmos, por similaridade e correspondência, atingimos diretamente grande parte da comunidade onde vivemos.
Por não operar com essa consciência, o indivíduo de hoje sente-se constantemente separado da conectividade com o todo e com ele próprio na sua unidade.
Ele não sabe quem é, não sabe o que quer e nem o que buscar. Sendo assim, o pensamento fica condicionado às memórias do passado e aos problemas das perdas, medos e sofrimentos. A insatisfação passa a mover suas energias, distanciando-o do equilíbrio e da paz interna.
Dessa forma, ele busca aperfeiçoar seus conhecimentos e sua sobrevivência baseados unicamente no materialismo do luxo e nos poderes – um conceito estruturado apenas em uma ideia dividida e separada de seu íntimo mais profundo, proporcionando assim mais ansiedade, angústias e medos.
Um passo anterior à busca frenética pelo dinheiro é o reconhecimento da nossa formação espiritual, ética e de caráter. São esses alguns dos pilares estruturais humanos que nos mantêm equilibrados.
Tudo começa no espiritual, passa ao astral, emocional, mental e então atinge o físico. Procure olhar e perceber que tudo que existe possui leis éticas que não deveriam ser transgredidas.
A auto-observação e a percepção de como somos uma unidade na harmonia do todo são necessárias para gerar impactos na vida da completa coletividade.
Movimente sua inteligência para a conexão de toda a sociedade humana. Dessa forma você estará movendo-se na direção do desenvolvimento, do agora para o futuro.
A inteligência colocada na forma única materialista é egoísta e fragmentada, traz conflitos e destruição, que são polos opostos da harmonia. Nessa expressão funciona como um centro isolado do todo.
Quando move-se algo no planeta, como um simples desvio de um rio, muitas vezes não se percebe o quão impactante é para o meio ambiente e para os seres que vivem naquele espaço. As relações de causa e efeito se multiplicam e as vidas abaladas por aquele simples desvio crescem exponencialmente.
Tudo tem no universo ordem complementar de correspondentes e similaridades. Se olharmos, por exemplo astrologicamente do ponto de vista da ordem por correspondências e similaridade nos planetas, veríamos que áries rege Marte (planeta da força da luta, da guerra, das armas) e o oposto dele, libra, rege Vênus, que simboliza o amor, o sentimento, a harmonia no equilíbrio da unidade. Os dois exercem funções que, por mais opostas que sejam, se complementam com ligações figurantes nessa ordem.
Uma luta deve ter harmonia e propósito, assim como um motivo, uma ideia baseada em um sentimento e esforço para se chegar à unidade objetiva.
Tudo se move para o equilíbrio das ordens do todo, com funções diferentes, mas complementares e com total similaridade. É assim que tudo vai funcionando para a nossa estabilidade e harmonia. Porém, quando estamos divididos de forma desequilibrada na matéria, observamos que o ser humano cada vez mais constrói máquinas sofisticadas, automóveis automáticos, armas silenciosas que matam sem fazer barulho e prédios cada vez mais altos, enquanto que ele continua a não se refinar internamente, futilizando-se em uma lógica irreal e em uma razão vazia, at mesmo em uma espiritualidade condicionada que traz mais confusão. Então torna-se mais denso, embrutece-se e animaliza-se.
No Bhagavagita, uma das obras mais importantes da filosofia hinduísta, é mostrado simbolicamente um indivíduo que conduz um cavalo. É uma metáfora de que, se ele não souber conduzir sua mente, será então governado pelo animal interno, ou seja pela sua própria irracionalidade e instintos negativos, que então o guiarão e condicionarão seu destino.
Essa pessoa não fará uso da sua própria inteligência para servir a si mesmo com harmonia progressiva e não fará bem à humanidade e nem tão pouco às leis do universo. Como dizia Platão, é melhor o indivíduo de ignorância, do que a sabedoria em mãos erradas.
O ser humano possui o direito de existir e de viver na plenitude de sua inteligência com vida e felicidade.
Mas, infelizmente por conta da ignorância de si mesmo ele perde-se na própria condição, aprisionando-se e não gerando condições que o liberte dos sofrimentos, angústias, dores e apego de si mesmo e para o planeta.
Muitos mestres e professores nos deram exemplos maravilhosos de sabedoria, comportamentos e atitudes que até hoje servem como base, estrutura e exemplos a serem seguidos. Com pensamentos grandiosos e
ideias criativas buscaram viver para contribuir e ajudar o planeta e todos os seus habitantes, fazendo com suas ações caminhos e pontes entre a matéria e o espírito em uma vida cheia de energia; mantendo a ordem de si, da vida e do universo na união com todos os seres vivos. Aprendamos humildemente com essas ações. Boa viagem de reflexões, silêncios e ações conscientes.
Medite sempre. Só assim você se descobrirá.
Caminhe!
Namaskara!